Este post faz uma breve revisão do artigo “Morphological Aspects and Quality of Urban Life”, publicado na Revista Nacional de Gerenciamento de Cidades, em seu v. 12, n. 85, em 2024.
O artigo foi publicado por mim, com coautoria de José Augusto Ribeiro da Silveira, Mauro Normando Macêdo Barros Filho e Ana Gomes Negrão. Nele, fazemos uma revisão de literatura sobre como a morfologia urbana e seus elementos constituintes são abordados em estudos sobre a qualidade de vida urbana. O texto contribui principalmente para estreitar as relações entre morfologia urbana e qualidade de vida, buscando compreender como fatores como compacidade, rede viária e espaços livres públicos influencia aspectos da qualidade de vida, como o acesso a oportunidades, saúde, conforto ambiental e vitalidade urbana.
Os resultados indicam que a forma urbana é pouco considerada nos índices e indicadores de qualidade de vida, sendo abordada de maneira superficial e em uma escala mais ampla. Além disso, alguns estudos que investigam a relação entre forma urbana e qualidade de vida, mesmo em contextos locais, não detalham como esses fatores interagem com outros aspectos urbanos e humanos, o que pode dificultar uma compreensão mais completa dos impactos do ambiente construído sobre a sustentabilidade urbana.
No campo do desenho urbano e da arquitetura, observa-se que a intensidade de ocupação das quadras afeta, por exemplo, a permeabilidade do solo, a disposição de áreas verdes, espaços públicos e equipamentos, assim como a visibilidade das ruas e das pessoas. Tanto o adensamento excessivo quanto a expansão de baixa densidade geram impactos locais, como na visibilidade, na formação de cânions urbanos, nos efeitos ambientais e climáticos, nos aspectos psicológicos, na convivência entre vizinhos, além de afetar a vitalidade e acessibilidade de ruas e espaços públicos. Esses fenômenos também têm repercussões globais, afetando o tecido urbano de forma mais ampla, seja pela fragmentação dos espaços e bairros ou pelo aumento dos custos de manutenção urbana e sistemas de infraestrutura. Esses fatores acabam influenciando os critérios de sustentabilidade global e os impactos sobre o entorno.
Este estudo buscou elucidar a relação entre configuração espacial e qualidade de vida, analisando a interação entre conceitos, índices, indicadores e estudos existentes. Foram encontradas evidências que indicam uma possível conexão entre a morfologia urbana e outros aspectos da qualidade de vida que não são contemplados pelos conceitos tradicionais de qualidade de vida urbana.
O artigo (em versões em português e inglês) pode ser acessado pelo link a seguir:
https://publicacoes.amigosdanatureza.org.br/index.php/gerenciamento_de_cidades/article/view/4213
Referência
Castro, A. A. B. C. et al. Morphological Aspects and Quality of Urban Life. Revista Nacional de Gerenciamento de Cidades, v. 12, n. 85, p. 245-260, 2024. DOI: https://doi.org/10.17271/23188472128520244213

